ENSINE-ME A FAZER ARTE

( PORTUGAL|BÉLGICA|TOGO|FRANÇA|ÍNDIA | BRASIL )

1ª Parte:

A performance ENSINE-ME A FAZER ARTE nasceu de uma inquietação profunda de Tania Alice, devida ao fato de as pessoas na França sempre lhe perguntarem, mesmo nos universos acadêmicos e artísticos, durante seu ano de pós-doutorado na Universidade de Aix-Marseille, na França, o que era performance e que tipo de ações poderiam se vincular a essa linguagem artística.

Diante dessa perplexidade generalizada e de uma certa resistência dos meios acadêmicos e de certas instituições artísticas com a linguagem da performance, a artista passou a desenvolver um trabalho que consistia em perguntar para pessoas na rua o que elas achavam que um artista deva fazer hoje.

Com um cartaz no qual estava escrito “Ensine-me a fazer arte”, Tania foi às ruas coletar respostas com as populações mais diversas em termos de idade, origem e profissão. O programa performativo funcionava em três etapas. De manhã, a artista saía na rua para realizar a parte relacional da performance. À tarde, ela transcrevia as respostas e preparava a apresentação dessas respostas. À noite, ela realizava a performance em público, projetando as respostas das pessoas em slides e executando as respostas, por vezes de forma participativa com o público, por vezes apenas apresentando as respostas, constituindo assim aos poucos um tipo de palestra performativa que incluía as respostas recebidas na rua.

A primeira apresentação foi realizada em Portugal, no Espaço Mira, uma galeria de arte participativa na cidade do Porto, no dia 22 de abril 2017, com um público grande de participantes e frequentadores do bairro periférico em que a galeria se encontra. Na manhã, ela obteve 18 respostas à pergunta. Ela escolheu 4 que foram compartilhadas com o público à noite, dentro da galeria, junto com um texto de apresentação, que brincava com o formato performance / palestra.

A segunda apresentação, que incluía as respostas dadas pelos moradores de Portugal, foi realizada no Festival do Togo Les Veilles Théâtrales de Baguida, para o qual ela foi convidada como artista-curadora (“artista associada” na Europa). No dia 29 de junho de 2017, ela foi para a Praça do Mercado de Hedzranawoé, junto com um tradutor que traduzia do “mina” (língua da população do Togo) para o francês. Em 2 horas, ela recebeu 12 respostas, das quais ela compartilhou 4 na noite de abertura do Festival.

Uma terceira apresentação foi realizada durante um workshop com a artista e pesquisadora Stéphanie Lemonnier, no dia 29 de julho de 2017. Durante o workshop, a performance foi realizada em uma parceria com o artista Laurie Freychet em Beaufort-sur-Gervanne e em Crest, na França. Juntos, em uma manhã, ambos coletaram 25 respostas, das quais 5 foram compartilhadas com o público.

Depois dessas três apresentações, Tania Alice recebeu um convite de um espaço de criação e produção belga, para trabalhar na dramaturgia do conjunto e coletar respostas na Bélgica. Foi realizada neste contexto uma residência artística no espaço Le CorridorMaison de Création Contemporaine, na semana do 8 ao 14 de outubro de 2017, iniciando a criação de um solo, que contém uma compilação de todas as respostas. Na Bélgica, foram coletadas 28 respostas e selecionadas 6, que foram transformadas em respostas performativas.

Uma última etapa de coleta de respostas foi realizada na Índia, onde Tania Alice acompanhou um grupo dando aula de performance e dança e realizando atividades terapêuticas. Na Índia, ela coletou mais de 20 respostas na cidade de Mahé, e resolveu ficar somente com uma. A performance como um todo não chegou a ser apresentada para o público por motivos estruturais.

Por fim, foi lançado um chamado nas redes sociais, perguntando: “O que um artista brasileiro em estágio pós-doutoral na Europa poderia fazer pelo Brasil?”. Foram recebidas 108 respostas e dessas respostas, uma foi guardada, que será incluída na versão final.

Assim, aos poucos, um trabalho que era uma pergunta começou a se transformar em solo performático em forma de palestra performada, caderno de bordo em ação da minha experiência de viver em outro país.

Uma apresentação final do trabalho está sendo construída e será realizada na abertura da BIENNALE DES ECRITURES DU REEL, proposta pelo Théâtre de la Cité em março 2018.

A experiência, que é um work in progress a ser continuado, permitiu à artista entrar em contato com os públicos mais diversos (moradores de rua, migrantes, pessoas idosas, crianças...) de diversos continentes, perguntando sobre o que elas acham que um artista deve fazer hoje e assim perceber a disparidade entre o que a população “comum” projeta sobre um artista e os discursos veiculados no meio artístico.

A ideia é seguir com essa ação também no Brasil, pois trata-se de uma pesquisa artística realizada de forma cartográfica sobre a maneira como podemos inverter as relações e inventar uma nova ordem de participação e relação com o público. A continuidade se dará coletando respostas em outros lugares e integrando sempre um capítulo a mais a performance, em função do lugar visitado e das respostas recebidas.

2ª Parte:

Concebida e realizada por Tania Alice na residência artística / seminário de Naira Ciotti e seu Lab de performance "O Professor Performer" em Natal, dos dias 21 a 26 de março de 2018, a performance, antecedida de um workshop de preparação de 3 horas, tinha por meta: "ENSINE ALGO ESSENCIAL PARA VOCÊ, EM 5 MINUTOS!"

 

Durante a performance, realizada em 2018 na Praça Vermelha da cidade de Natal e depois no Festival de Avignon na França, na Praça Pie, em parceria com a FAIAR (Formação Superior de Artistas em Espaços Urbanos) e Pascal Lebrun-Cordier, com quem foi ministrada a master class "Fazer acontecer aventuras", transeuntes e participantes da oficina tinham por missão de ensinar algo que seja essencial para eles durante 5 minutos.

 

Para tal ato, os participantes podiam utilizar o material que desejassem, em um cenário de sala de aula a céu aberto, composto por carteiras e um quadro escolar. A performance partia da ideia de que o espaço público pode ser um espaço de troca de saber e afetos e que a pedagogia e inteligência coletiva são ferramentas poderosas de construção social.

 

Na edição de Natal, os 20 participantes, bem como transeuntes que se juntaram a empreitada, durante uma hora e meia, tiveram as seguintes aulas:

 

- gargalhar sem motivo

- espreguiçar ao acordar

- lidar com a raiva

- se masturbar sem as mãos para mulheres

- tocar outro corpo para relaxá-lo

- usar limão verde como desodorante quando não tem sol

- sobreviver no close com a bênção do glitter

- fazer um bolo de milho inesquecível

- fazer uma tapioca gostosa

- beijar o cu

- fazer uma foto para imortalizar um instante

- trocar de roupa no meio do caminho dentro de um UBER

- acalmar a respiração com canto

- cantar um samba que muda a sua vida

- se maquiar em 5 minutos para ir na padaria

- gemer com todas as letras de FORA TEMER

- 2 pilares da intersemiótica.

 

Todos os participantes (transeuntes e oficineiros) ganharam o certificado do Pedagogo do Afeto em Espaço Público.

 

Agradecimentos: aos que embarcaram nessa aventura de aprender uns com os outros! Fontes de inspiração para a concepção da performance: um pastor evangélico pregando em praça pública, Jérôme Bell, conversas em 2017 com Aziz Boumediene e as pessoas incríveis de Natal. Concepção do certificado: Marcelo Asth.

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